| Aos 44 anos, o estilista português soma várias colecções de sucesso |
José António Tenente: "Claro que há situações difíceis"
09-04-2011
José António Tenente vive satisfeito por ter escolhido a moda como o caminho da sua vida. No entanto, confessa sentir cada vez mais as dificuldades da crise e aponta a preferência por marcas internacionais como o principal motivo que afecta os criadores nacionais.
– Apresentou há pouco tempo a sua nova colecção...
– Sim. O momento em que apresentamos a colecção é a fase final de um projecto e é sempre muito bom. Foi uma exposição que começou com a minha selecção de peças e a ideia foi muito original.
– Quais são as suas principais fontes de inspiração?
– É preciso estarmos a trabalhar para conseguir que a inspiração nos apanhe. As viagens são uma forte fonte de inspiração, mesmo quando o resultado não é imediato. Tudo o que nos rodeia, seja positivo ou negativo, acaba por ter influência. O próprio dia-a-dia é uma fonte essencial de inspiração.
– O que considera pior nesta profissão?
– Para mim, o pior é estarmos sempre atrasados. Temos a sensação de que estamos sempre em falta.
– Sente a crise?
– É evidente que sim. Era um pouco uma ilusão dizer que não. Mas também acho que há um efeito psicológico maior do que o que acontece na realidade. Sinto a crise, mas é nestas alturas que o processo criativo se desenvolve ainda mais, porque temos de responder às dificuldades. Eu penso que nem tudo é tão cinzento, mas não nego que há situações difíceis. A crise é transversal.
– Acha que os criadores nacionais sofrem mais do que os internacionais?
– Não posso deixar de notar que nós valorizamos mais o que é internacional do que o que é nosso e é difícil quebrar esta tendência. Em Espanha, há espaço para uma série de marcas internacionais, mas há uma tendência para comprar o que é nacional. E isso ajuda muito. Nós somos muito receptivos ao que vem de fora e devíamos apostar mais no que é nosso.
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