sábado, 16 de julho de 2011


 difícil despedida de Harry Potter

São os rostos de Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson que milhões de leitores visualizam ao folhear os 7 livros da saga “Harry Potter” – mas os atores que viveram Harry, Ron e Hermione nos cinemas, ao longo de 10 anos e 8 filmes diferentes parecem determinados em se fazer conhecer para além do estigma.
Com o fim da franquia nos cinemas, marcado pela estreia mundial de “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2″, o trio, assim como os outros integrantes do elenco juvenil que construíram as carreiras sob o legado Potter, já partiu em busca de novas opções. Mas não sem antes fazerem juras eternas de gratidão aos filmes que lhes projetaram.
E como lhes projetaram: de crianças desconhecidas, Radcliffe, Grint e Watson tornaram-se celebridades instantâneas com o lançamento de “Harry Potter e a Pedra Filosofal” em 2001. E fizeram por merecer: oficialmente, cerca de 20.000 candidatos foram avaliados somente para o papel principal. Reduzir esse número a três não foi tarefa fácil. Na época, quando os livros já eram conhecidos e disseminados, os pequenos se engalfinhavam pela oportunidade de se envolver na transposição para os cinemas, e seus pais mais ainda.
Já Daniel, vindo de uma versão da BBC para a história de David Cooperfield, foi testado à relutância para “A Pedra Filosofal”. Os pais de Daniel queriam-no mais focado nos estudos – suas notas estavam baixas – do que nas artes dramáticas, mas concordaram em que ele participasse do processo das audições. Algumas etapas depois, e voilà, o mundo teve seu Harry Potter.
Emma e Rupert, por sua vez, perseguiram Hermione e Ron com afinco. A garota se inscreveu para testes no colégio, quando a busca pelo elenco infantil do filme deixava os aluninhos do sistema educacional britânico em polvorosa. Rupert, que já se dizia admirador dos livros, filmou a si mesmo interpretando um monólogo e submeteu-o junto aos inúmeros vídeos que a comissão avaliadora recebeu.
Daí em diante, eles cresceram e amadureceram gozando dos luxos e privilégios dos ricos e famosos, e construíram suas próprias fortunas – com a saga, com acordos publicitários e, mais discretamente, com projetos paralelos que mais serviram como veículos para suas carreiras extra-Potter. Nesse meio tempo, foram vencendo o descaso da crítica, que insistia que eles cresciam desajeitados e sem os talentos dramáticos que o carisma infantil ajuda a encobrir.
Daniel foi para o teatro contestar essas afirmações: impressionou com “Equus”, onde causou polêmica ao aparecer em nudez frontal, e está atualmente no musical da Broadway “How to Succeed in Business Without Really Trying”, onde explora seu alcance em sequências de dança e sapateado. Também fez o drama teen “Um Verão Para Toda Vida” (2007) e filmou o horror inglês “The Woman in Black”, a ser lançado em breve.
Rupert, por sua vez, estrelou “Lições de Vida” (2006), ao lado de Laura Linney e sua mãe em “Harry Potter”, Julie Walters. Fez ainda a comédia “Matador em Perigo” (2010) e já tem mais quatro filmes em pré-produção.
Emma, cujos contornos femininos lhe esvaíram de vez a aura de menina, exercita seu repertório nos dramas “My Week with Marilyn” e “The Perks of Being a Wallflower”, prometidos para os próximos meses.
Por mais duro que trabalhem, porém, dificilmente serão vistos pelo público como algo além de Harry, Ron e Hermione. Mas o trio tampouco pretende renegar esse passado – nesse clima de nostalgia que circunda o encerramento da saga, estão mais dispostos a celebrá-lo. Em entrevista no tapete vermelho da pré-estreia nova-iorquina do filme, Daniel afirmou que se despediu de Harry com a alma limpa. “Acho que nós provamos que você pode trazer integridade e crescimento perpétuo a uma franquia”, afirmou.
De fato, o último filme foi aclamado pelos críticos, que apontam que a série – que começou aos tropegos nas mãos do americano Chris Columbus (“Esqueceram de Mim”) -, encerrou em nota maior do que começou. E, para Radcliffe, o segredo dessa evolução está em um bom roteiro para se trabalhar.
Na premiere em Londres, que contou com a presença da autora J.K. Rowling e de praticamente todo o elenco da saga – o filme é, afinal, integralmente britânico -, foi difícil para Emma conter a emoção. Na ocasião, os fãs, os grandes responsáveis pelo sucesso extraordinário de Harry no papel e nas telas, acamparam durante dias diante do cinema que hospedou o evento para ver os atores de perto. “Vou sentir saudades de Hermione e de poder viver a vida dela”, disse a atriz, antes de se virar para Daniel e descrevê-lo como o “Harry Potter perfeito”.
Posteriormente, em entrevista ao talk show de David Letterman, Emma explicou porque era tão difícil dizer adeus. “Fui Hermione por mais tempo do que fui eu mesma”, disse.
Rupert, por sua vez, admite que se sentiu um pouco perdido com o término da franquia. “Nós sabíamos que esse dia ia chegar, e tudo foi construído para chegarmos ao final, mas foi muito triste”, garantiu o ruivo. Segundo ele, o “último dia de gravações foi como o último dia de escola”.
Radcliffe chegou a confessar que chorou após filmar sua última cena como Harry. “É uma sensação estranha não retornar ao set para trabalhar com o elenco e a equipe no ano seguinte”, comentou. “Foi uma experiência extraordinária enquanto durou, trabalhar com o mesmo grupo por 10 anos e desenvolver laços de amizade com tanta gente”, completou o protagonista.
E que ninguém pense que é fácil ser Daniel Radcliffe. Tom Felton, marcado no papel do asqueroso Draco Malfoy, fez o teste para Harry anos atrás, mas, hoje, afirma que está mais do que satisfeito com o que recebeu. O ator, que está atualmente no Brasil divulgando o longa junto aos fãs, comentou em sua passagem por Nova York que “ninguém no mundo teria interpretado o personagem melhor que Daniel, e eu não poderia ter lidado com a pressão por trás das câmeras que ele enfrentou nos últimos anos”.
Tom Felton, aliás, é outro que se despede da franquia em bons termos: atuou no ainda inédito “Planeta dos Macacos: A Origem” e tem mais quatro filmes em pré-produção.
Todos da equipe, claro, estão em dívida eterna com J.K. Rowling, cuja prosa e, sobretudo, imaginação, tornou o universo de Harry concebível. Durante a pré londrina, Radcliffe teve a chance de olhar a “mãe” de Potter nos olhos e agradecer. “Sempre quis dizer isso, mas nunca tive a oportunidade: eu te devo muito por esse trabalho”, falou. Rupert e Emma assentiram em coro.
De qualquer maneira, mesmo que Harry Potter ressurja em um futuro remoto, não quer dizer que Radcliffe – ou Grint e Watson – estarão envolvidos. Daniel já disse que retornar ao personagem seria “masoquismo” depois de tanto esforço para deixá-lo para trás.
Os fãs, ainda emotivos com o encerramento, começam agora a expurgar as lágrimas para, quem sabe um dia, estarem tão conformados e prontos para seguir em frente quanto o elenco. Boa sorte a todos!


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